Audição Obrigatória #1
Um doce nostálgico. Hoje, uma joia rara que chamo de “exemplo”.
Não é um álbum complexo. Temos vocais “limpos” que costumo chamar de “unclean”; vocais gritados que não chegam a um nível extremo — diria até que são apenas ok; linhas de guitarra e baixo simples; arranjos eletrônicos discretos; e uma bateria café com leite. Tudo é simples.
Então, por que acho isso tão bom? A resposta está exatamente nessa simplicidade: tudo aqui foi feito da melhor forma possível dentro do simples. Os vocais de Bennet Freeman não são complexos porque não precisam ser; são bem executados e se encaixam perfeitamente nas canções. As letras nos entregam ganchos muito bem explorados por Dylan Anderson, que oferece uma interpretação marcante. Esse cara sabia conduzir seu parceiro nos vocais, o Bennet “Homem Livre” (que Deus o tenha). É como uma valsa, como patinação no gelo.
Tudo o que foi executado nesse álbum é como um arroz bem feito — e arroz bem feito é gostoso demais. Eles souberam preparar essa refeição que me deixou satisfeito por todos esses anos. São a base daquilo que o Post-HC entregava naquela época. Você consegue ouvir cada detalhe, porque existe um carinho enorme nesse trabalho, e esse apego transparece. É impossível querer entender a experiência do Post-HC sem ouvir Of Machines.
Temos várias bandas incríveis operando até hoje, muitas delas seguindo na batalha com pessoas diferentes, propostas diferentes e pegadas diferentes. Mas Of Machines entregou O álbum e o perpetuou na história como um grande EXEMPLO de imersão, mesmo tendo lançado apenas um trabalho completo. Bastou isso para me conquistar, me fazer cantar junto e pensar nas possibilidades da vida.
O hit da banda, “Becoming Closer to Closure”, é audição obrigatória aqui. Porém, minhas canções favoritas são “An Autobiography in Vivid Color Part 1” e “Sailing Around the Room”. Essas músicas realmente arrepiam minha espinha, porque soam incrivelmente viscerais. Esse é um daqueles álbuns que escuto do início ao fim sem pular uma faixa sequer, justamente porque ele transmite essa sensação de continuidade: você começa e sente vontade de terminar.
Ouçam. Apenas tirem um tempo e ouçam.
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