quarta-feira, 27 de maio de 2026

Audição Obrigatória #2 - Gatherers

                                                       Audição Obrigatória #2

por Alli

Gatherers - (Mutilator.) 2022




Aqui temos o famoso caso de uma banda muito boa, mas que infelizmente ainda é desconhecida por muitos. Gatherers é uma banda de Post-Harcore/Screamo de Nova Jersey (EUA). Seu primeiro full álbum (Caught Between a Rock and a Sad Place) foi lançado em 2013, o que de cara já seria um impedimento pra banda de cara alcançar algum tipo de notoriedade devido o fato de que nesse exato ano, muitas outras bandas já bem estabelecidas e assinadas com grandes gravadoras estavam lançando trabalhos muito bons e que tiveram grande destaque. De fato, esse ano poderia estar facilmente numa história de ficção, onde artistas teriam sido iluminados com a inspiração de Calíope, porque veja alguns exemplos deles: I Survived by do Touché Amoré, Feel do Sleeping With Sirens, Sempiternal do Bring me the Horizon, Common Courtesy do A Day to Remember, The Things We Think We’re Missing do Balance and Composure, Youth do Citizen, Spring Songs do Title Fight, e muitos outros. A banda a esse ponto, além de ainda não ter uma grande gravadora a seu favor, ainda viria a lapidar sua música, estando ainda muito derivativa de outras bandas, como o próprio Touché Amoré, já citado anteriormente.
O próximo álbum da banda (Quiet World) foi lançado em 2015, e sim, apesar de não ser um ano tão prolífico quanto 2013 em quesito de lançamentos tão marcantes em quantidade e qualidade, honestamente, o Gatherers ainda não tinha o famigerado ‘’molho’’ como se diz no português coloquial Brasileiro. Apesar de a banda ter tido a oportunidade de assinar com a Equal Vision Records, as músicas não tinham tanta variação  de ganchos vocais, o que fazia com as músicas ficassem muito parecidas entre si. Isso provavelmente acabou se tornando um fator limitador para a complexidade do álbum e acabou fazendo com que ele passasse despercebido, tendo no máximo uma avaliação bem parecida com seu antecessor (bom, mas não atinge o patamar de ótimo ou excelente). Mas foi em 2018 que tudo começou a mudar. A banda lançou um single chamado ‘‘The Floorboards Are Breathing” que por si só já merece minha recomendação aqui no Faixa Dupla, pois é uma música que finalmente faz a banda chegar ao patamar de excelência. Aqui temos ritmicidade mais cadenciada com groove, temos ganchos vocais absurdamente grudentos, ótimo refrão, instrumental com atmosfera, ou seja, parecia que a banda estava tomando um novo rumo. Lançaram mais dois singles e depois seu próximo álbum intitulado We Are Alive Beyond Repair . E foi aí que as suspeitas se confirmaram. Tínhamos uma banda procurando evoluir todas as ferramentas que já tinham antes a seu dispor, lapidando suas características mais fortes e trazendo novos elementos para a mesa de som. O álbum (pro meu gosto pessoal) subiu muito em conceito de composição, e entregou músicas mais marcantes e com mais personalidade. Só que ainda não era o ápice da banda, porque o que viria pela frente seria bem melhor e sim, muito superior.





 Foi quando em 2020 a banda dropou um single que faria parte do seu próximo álbum, a faixa 08, que se chama Ad Nauseam, I Drown (o nome significa ‘’Com náuseas, me afogo’’, e o latim aqui talvez tenha um significado bem coerente com a narrativa do álbum, não sendo algo aleatório). Aqui você já entende que a banda definitivamente achou sua nova identidade e que está ainda mais evoluída em quesito de composição, o que me deixou muito esperançoso para um possível novo trabalho. A letra é extremamente sombria, e narra um personagem mergulhando em profunda saudade de alguém que se foi, e acaba fazendo com que ele se sinta abraçado por esse ente que se foi. Ao lembrar dela ele sente náuseas e vontades de vomitar, pois lembra dela em estado de melancolica, paralisada e desencarnada.
Em seguida eles lançaram a espetacular Black Marigold (faixa 02 do álbum), que definitivamente é minha música favorita da banda. Eles adaptaram o poema de mesmo nome, que foi traduzido para inglês no início do século XX. O poema narra a história de um poeta que se apaixona pela filha de um Rei, e quando descoberto, é jogado na masmorra e condenado à execução. Ele escreveu este poema na masmorra, na noite anterior à sua execução. A música tem um dos melhores refrãos que já ouvi na minha vida, e o andamento é mais lento e atmosférico, com ótimos versos e screams aplicados na hora perfeita. A música tem até mesmo um pequeno solo de guitarra, simples e curto, porém serve de ponte para o último refrão que conta com um pequeno coral usado na última estrofe do refrão. Enfim, Black Marigold é uma música impecável, o famoso 10/10.
Gift Horse é o próximo single (faixa 05 do álbum), e o que já estava bom só vai melhorando cada vez mais. Ao ver o nome de Geoff Rickly (vocalista da lendária banda Thursday) como feat da faixa, você automaticamente já parte do pressuposto de que provavelmente vai ser uma paulada. A participação é quase imperceptível e muito curta (uma pena), mas isso não tira o brilho da música como um todo. Pense em uma mistura de Glassjaw, com Deftones, mas tudo isso envolto de um vocal melódico absurdamente semelhante a Bert McCracken (The Used) misturado com Darryl Palumbo do Glassjaw. Essa é uma das letras mais difíceis de se interpretar, e apesar de eu ter tentado muito, não consegui decifrar o quebra-cabeça. Mas de forma geral, a banda te leva para uma narrativa que faz alusão a algum tipo de seita religiosa, sempre descrevendo rituais, com línguas perdidas, mãos erguidas aos céus, um pedido de oferta do primogênito, a cruz abandonada, etc.
Logo após isso, eles lançam seu último single intitulado suffocator (faixa 07 do álbum), que conta com o feat de Dan Lambton (ex- Real Friends). De cara você já sente uma influência de emo/pop punk e hardcore melódico bem forte. Apesar de a música ser mais curta e simples em relação as anteriores, mais uma vez temos ótimos ganchos vocais nos versos, no refrão e na participação de Dan. Mas não é porque a música é mais ‘’pra cima’’ que a letra deixa de ser densa. Ela descreve um cenário em que uma garota morreu, e o nosso protagonista vê a cena ambientada no que parece ser um velório, com cartões funerários pregados na parede, garotas católicas ao redor, um silêncio ensurdecedor, e mais uma vez um sentimento de extremo desconforto e sufocamento. A esse ponto você já percebeu que a narrativa aqui nessas 4 faixas é quase que sinestésica, pois você mergulha com eles nessa história sombria que está sendo narrada.
Em Novembro de 2022 a banda lança oficialmente o álbum (Mutilator.), e temos a chance de ouvir os singles em contexto com as faixas restantes.
A faixa número 1 é Massalette (a título de curiosidade: Massalette é um folheto que é dado às pessoas em missas da igreja Católica, onde elas podem acompanhar todo o desenrolar da cerimônia). Sem perder tempo eles iniciam com um riff bem marcante, e em seguida Rich começa a entoar uma história sobre a perda da fé diante da morte de uma pessoa que provavelmente cortou os pulsos, se suicidando e deixando o protagonista sozinho depois de tê-lo acolhido, como um pássaro que estava morimbundo. Os elementos cristãos estão sempre presentes nas letras, como Rosários, a Graça Salvadora, Deus, fé, etc. Musicalmente essa faixa é sem dúvidas uma das melhores do álbum, e inicia muito bem o tracklist pois ela carrega todo o storytelling, a carga dramática, e a melodia do álbum como um todo. Aqui a banda claramente (assim como no álbum anterior) abandona completamente o approach do screamo e firma 100% seus pés no post-harcore.
A faixa 3 é Boxcutter, que conta com a participação da talentosíssima compositora, cantora e multi instrumentista Courtney Swain, que contribui com seus vocais (singelos e quase imperceptíveis), mas como já citado anteriormente, isso não afeta o resultado final da música como um todo. E vale aqui uma observação a se fazer: Em determinado ponto da letra dessa música o vocalista cita ‘’Decades in the bed you made, Black Garb of the Heaven’s Gate. Come back to Sleep baby. Estaria ele fazendo alusão ao famoso caso de suicídio em massa da seita Heavens Gate de 1997? Há muitas semelhanças em referência aqui, pois até hoje encontramos facilmente na internet fotos reais dos corpos achados, deitados em camas e totalmente cobertos com um capuz preto. Logo mais a frente ele referencia o nome do álbum na frase ‘’mutilate me, you’re my boxcutter’’’, ou seja, ele pede para alguém o cortar em pedaços, tornando essa pessoa (ou coisa), o próprio mutilador.
A faixa 4 é a ótima honey on the marrow, que só pelo título você já pode perceber a metáfora inteligente feita entre a medula e o mel. A medula é o elemento central do nosso esqueleto geralmente associada a vida, trauma, ou dor profunda. Mas pondo mel no lugar da medula sugere-se uma tentativa de aliviar a dor e o sofrimento, trazendo conforto e doçura. Musicalmente falando, a música mais uma vez traz um ritmo dançante, refrão ‘’cantante’’, uma linha de baixo bem marcada e destacada nos versos, e um final que lembra muito o Underoath.
Seguimos com a faixa 06 spine, que é bem curta e funciona quase como um ponto de conexão com a próxima faixa (não é ironicamente que a música se chama spine). Aqui o protagonista implora por amor, independente de quão fodido e distorcido ele seja, a ponto de pedir para ser crucificado se possível, e escarificado. O protagonista não se vê no paraíso, pois ele não se encaixa nesse conceito. 
Aqui chegamos nas parte final do álbum. Temos a música 09 intitulada last days numbered on a rotary dial, que a meu ver traz uma das letras mais enigmáticas do disco, e me parece narrar uma situação envolvendo uma cerimônia de casamento de um soldado que ocorreu em um lazaretto (Uma estação de quarentena para viajantes marítimos, imigrantes e mercadorias, destinada a prevenir a propagação de doenças infecciosas como a peste ou a febre amarela). Uma conversa tensa pelo telefone gera o suspense, pois parece que esse casamento chegou ao fim. 
A faixa 10 tourniquet (for luck) é a penúltima. O nome da música faz alusão a um tipo de amuleto decorativo trançado até formar um padrão. Aqui a banda soa muito como o Thursday de forma maravilhosa, porém com refrão mais pesado no estilo Glassjaw. Essa parte da história parece ter conexão com as trincheiras citadas da faixa anterior. O soldado parece estar de cara na lama, e a esse ponto ele não consegue sentir mais nada, imerso em um profundo dilema de manter ou tentar esquecer essa pessoa amada, que é tão poderosa que não pode ser exorcizada com água benta. Mas o soldado guarda o amuleto, o segura firme e sangra por se sentir amado.
Chegamos na faixa 11, a última do disco, chamada twelve omaha solemn certainty, onde a banda tira 5 minutos e 7 segundos para narrar um desfecho que se ainda não estava dramático o suficiente, chega a seu ápice. A faixa narra o momento derradeiro da desesperança, um adeus. Um aviso na tv com um alerta do Sistema de Transmissão de Emergência pede: "Junte-se aos seus amigos, à sua família, ao seu Deus". Mas como não há mais esperança, nosso protagonista sela todas as suas janelas com tábuas, pega sua escopeta e põe na boca. Não há ninguém ali para o impedir, então ele senta contra a parede e se dá conta que está preparado para partir. A banda opta por fechar o álbum com uma uma música mais calma, mais lenta e mais dramática, com bastante melodia e que provavelmente poderia até mesmo ser um indicativo do que a banda seguiria como proposta sonora para um próximo trabalho.
De forma geral, (mutilator.) é a meu ver, o melhor trabalho da banda, pois não erra em quase nada, e quando erra, não atrapalha em nada no resultado final do trabalho. De fato, o único erro desse disco foi não trabalhar de forma melhor as participações, pois poderiam dar mais destaque e mais tempo aos convidados. Fora isso, a banda mostra um álbum extremamente coerente entre os elementos do conceito vs execução. Como o disco narra uma história dramática de perca de fé, religião, amor trágico, suicídio e dor, a música acompanha perfeitamente esses temas, com instrumentais densos, melancólicos e pesados. Aqui finalmente o vocalista Rich Weinberger atinge seu ápice como compositor e cantor, trazendo ótimos ganchos vocais durante toda a execução do álbum, fazendo você querer escutar novamente as músicas. E isso é irônico porque por volta de 2015 Rich sofreu uma lesão nas cordas vocais, logo depois do lançamento do álbum. A banda entrou em hiato desde então e ainda não retornou às atividades. O ditado popular diz: “Há males que vêm para o bem”. Nesse caso, para bem ou para mal, a meu ver, se a banda estiver planejando algo novo pro futuro, será muito bem-vindo caso voltem com uma identidade vocal ou instrumental nova, como já aconteceu com outras bandas anteriormente (vide a lesão vocal que Matt Shadows teve no Avenged Sevenfold e depois retornou com o ótimo City of Evil). O futuro nos dirá caso isso tenha que acontecer. Até lá, aprecie o trabalho construído pela banda até aqui, pois ela tem uma discografia muito digna de atenção e apreciação. 




Audição Obrigatória #1 - Of Machines

 

Audição Obrigatória #1
por Juninho

Of Machines - As If Everything Was Held in Place (2009)



Um doce nostálgico. Hoje, uma joia rara que chamo de “exemplo”.

Não é um álbum complexo. Temos vocais “limpos” que costumo chamar de “unclean”; vocais gritados que não chegam a um nível extremo — diria até que são apenas ok; linhas de guitarra e baixo simples; arranjos eletrônicos discretos; e uma bateria café com leite. Tudo é simples.

Então, por que acho isso tão bom? A resposta está exatamente nessa simplicidade: tudo aqui foi feito da melhor forma possível dentro do simples. Os vocais de Bennet Freeman não são complexos porque não precisam ser; são bem executados e se encaixam perfeitamente nas canções. As letras nos entregam ganchos muito bem explorados por Dylan Anderson, que oferece uma interpretação marcante. Esse cara sabia conduzir seu parceiro nos vocais, o Bennet “Homem Livre” (que Deus o tenha). É como uma valsa, como patinação no gelo.

Tudo o que foi executado nesse álbum é como um arroz bem feito — e arroz bem feito é gostoso demais. Eles souberam preparar essa refeição que me deixou satisfeito por todos esses anos. São a base daquilo que o Post-HC entregava naquela época. Você consegue ouvir cada detalhe, porque existe um carinho enorme nesse trabalho, e esse apego transparece. É impossível querer entender a experiência do Post-HC sem ouvir Of Machines.

Temos várias bandas incríveis operando até hoje, muitas delas seguindo na batalha com pessoas diferentes, propostas diferentes e pegadas diferentes. Mas Of Machines entregou O álbum e o perpetuou na história como um grande EXEMPLO de imersão, mesmo tendo lançado apenas um trabalho completo. Bastou isso para me conquistar, me fazer cantar junto e pensar nas possibilidades da vida.

O hit da banda, “Becoming Closer to Closure”, é audição obrigatória aqui. Porém, minhas canções favoritas são “An Autobiography in Vivid Color Part 1” e “Sailing Around the Room”. Essas músicas realmente arrepiam minha espinha, porque soam incrivelmente viscerais. Esse é um daqueles álbuns que escuto do início ao fim sem pular uma faixa sequer, justamente porque ele transmite essa sensação de continuidade: você começa e sente vontade de terminar.

Ouçam. Apenas tirem um tempo e ouçam.


terça-feira, 19 de maio de 2026

 Sugestão de Músicas #2 - NEO PSYCHEDELIA
por: Alli




Música: Mahal (2024)
Banda: Glass Beams

Música que faz parte do segundo EP da banda, que tem o mesmo nome, lançado em 2024. Glass Beams é um projeto espetacular do multi-instrumentista Indo-Australiano Rajan Silva, que junto com os outros dois membros têm suas identidades guardadas em baixo das máscaras cravejadas de jóias. O som é cinematográfico e quase um “transe”, focado em psicodelia indiana, jams instrumentais e funk.O grupo se destaca pelos grooves repetitivos, guitarras cheias de delay, linhas de baixo dançantes e ritmos inspirados tanto em música oriental quanto em disco e surf rock.



Música: Methos Actor (2024)
Banda: 
Nilüfer Yanya

Essa música chega a ser obscena de tão incrível do ponto de vista de composição. Mistura indie rock, neo-psychedelia e art rock em uma sonoridade introspectiva e levemente inquieta.A faixa se destaca pelas guitarras etéreas com efeitos espaciais e uma sensação emocional meio desconexa, quase flutuante, enquanto os vocais mantêm um tom íntimo e melancólico. A influência do neo-psychedelia aparece nas texturas ambientais, nos timbres distorcidos e reverberados,na forma como ela cria uma sensação hipnótica, puxando elementos de dream pop e indie experimental.



Siga nossa Playlist no Spotify: 
https://open.spotify.com/playlist/0Ek3AzBWlJf4S9JavFL4Gx?si=47dc027d8ce04afd


 Sugestão de Músicas #1 - MATH ROCK
por: Juninho



Música: Camp Adventure (2015)
Banda: Delta Sleep


É um dos principais hits da banda. Camp Adventure é a última faixa do álbum "Twin Galaxies" de 2015.A profundidade dessa música é tamanha que escancara uma realidade que muitos passam na vida. Eu não entendia nada do que cantavam, e sentia que eu estava contando essa música para alguém, mas não sabia quem. Agora que sei, cabe a vocês se permitirem viver essa experiência. É uma ótima banda para quem quer começar a ouvir Math Rock, tudo no mais perfeito equilibrio. Nada muito amostradinho. Eles são elegantes ao meu ver. Essa música é a cereja do bolo que foi esse álbum.



Curiosamente, também é um segundo álbum, e temos um “Choque-Rei” aqui. É a primeira faixa do álbum Animals, e posso afirmar que a pedrada é grande, inclusive sobre o tema da música. O arranjo sensacional é referência quando se trata de “Math Rock”, é hipnotizante, e dá vontade de dançar no meio da bagunça que é a sua vida. Essa música em particular é para quem gosta de coisas mais complexas, mas ao mesmo tempo humilde.E uma coisa que eu gosto muito dela é em como eu consigo ouvir tudo! Você consegue ouvir cada elemento da música, a não ser que tenha o ouvido danificado ao som de Los Herm... enfim.


Música: Chinchilla (2008)
Banda: This Town Needs Guns

Curiosamente, também é um segundo álbum, e temos um “Choque-Rei” aqui. É a primeira faixa do álbum Animals, e posso afirmar que a pedrada é grande, inclusive sobre o tema da música. O arranjo sensacional é referência quando se trata de “Math Rock”, é hipnotizante, e dá vontade de dançar no meio da bagunça que é a sua vida. Essa música em particular é para quem gosta de coisas mais complexas, mas ao mesmo tempo humilde. E uma coisa que eu gosto muito dela é em como eu consigo ouvir tudo! Você consegue ouvir cada elemento da música, a não ser que tenha o ouvido danificado ao som de Los Herm... enfim.


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quinta-feira, 14 de maio de 2026

Review: Moodring - Death Fetish (2026)

 Moodring - Death Fetish (2026) *Indicado por Álex Alli 

Review por Junior Ferraz




Versão Português

Em uma discussão com o Alli sobre quais são os vocalistas mais completos da atualidade, um nome ecoou várias vezes: Hunter Young. 
Nunca vi uma pessoa mais feliz que pinto no lixo quando saiu o Death Fetish, a notificação de que o álbum saiu veio mais rápido pelo Alli do que o próprio Spotify. Nessa ocasião eu já havia me permitido ouvir o primeiro EP da banda para ter uma noção de evolução, mas não quis ouvir nenhuma faixa solta desse álbum para não atrapalhar a experiência de ouvir na integra. 
A evolução é gritante comparado ao EP, parece até outra banda, a maturidade é evidente demais aqui, e logo você entende o porquê do Alli saltitar de alegria e dormir em posição fetal depois desse álbum. 
O que eu senti a primeira vez que ouvi o EP foi uma inspiração nas bandas dos anos 2000, mas com esse álbum eu senti que 1999 foi ano passado. É empolgante ao ponto de você sacar várias referências, mas sem ter aquele sentimento de que copiou algo, é genuinamente os caras vivendo o que era aquela época.  
O trabalho de produção e arranjo foram surreais. É imersivo. No primeiro play eu senti muito uma vibe de rock praia, algo que claramente meu pai iria curtir também se não fossem os berros, mas é claramente algo atemporal no gosto. O vocal consistente e que mostrou uma evolução perceptível, e o que mais me chamou atenção foi trabalho feito em cima dos sintetizadores. Eu digo com toda certeza que o que me prendeu 100% a esse álbum foi isso.  
Fomos condicionados a escutar os mesmos padrões rítmicos, e isso acabou acostumando nossos ouvidos a identificar certos aspectos da música que nos fazem antecipar o que vai acontecer. Curiosamente isso não foi comum nesse álbum, a quebra de expectativa foi muito bem aproveitado. A acurácia nos acertos foi grande, conseguiram unir bem dois mundos que foram separados pelo tempo. 
O fator replay é certo, e o no-skip também! A primeira vez que ouvi o álbum estava entendendo os detalhes, e principalmente entender o que eu estava sentindo ao ouvir cada faixa. A primeira play eu me senti muito acolhido ao ouvir “Katamine”, e a medida que continua a escutar o álbum, já senti mais afinidade com o as faixas Gunplay e Half-Life, sendo a Katamine perfeita, com um arranjo lindo, e com uma boa profundidade. Toda faixa tem suas particularidades, se complementando ao contar uma história por vez. 
A agressividade que eu ouvi e admiti que Hunter Young é diferenciado mesmo foi na faixa “Die Slow”, cara, o que foi aquilo meu parceiro? 
Esse disco é uma montanha russa de sentimentos.

Músicas Favoritas: - Half-Life - Gunplay - Ketamine
- Sickf_ck - Die Slow  Nota Final: 10

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English Version

In a conversation with Alli about who the most complete vocalists out right now are, one name kept coming up over and over again: Hunter Young.

I swear I’ve never seen someone happier in my life when Death Fetish dropped. Alli sent me the “yo it’s out” notification faster than Spotify itself did. Around that time, I had already checked out the band’s first EP just to get a feel for their progression, but I purposely avoided listening to any singles from the new album because I didn’t want anything ruining the full-album experience.

And man… the growth compared to the EP is insane. It honestly sounds like a completely different band. The maturity on this record is impossible to miss, and pretty quickly you understand why Alli was practically kicking his feet and sleeping in the fetal position after hearing this thing.

What I got from the EP was that they were heavily inspired by 2000s bands, but with this album? It feels like 1999 was literally last year. It’s exciting because you can catch a bunch of references and influences, but never in a way that feels ripped off. It genuinely sounds like these dudes lived through that era instead of just studying it.

The production and arrangement work here is absolutely unreal. This album is immersive as hell. On my first listen, I got this weird beach-rock vibe from it — like something my dad would probably love too if it weren’t for all the screaming — but at the same time, it feels timeless.

The vocals are super consistent and show a very noticeable evolution, but what grabbed me the most was the synth work. I can say with full confidence that the synths were what completely locked me into this album.

We’ve basically been conditioned to hear the same rhythmic patterns over and over, to the point where our brains automatically predict what’s about to happen next in a song. Weirdly enough, this album constantly dodged that. The way they handled expectation and surprise was incredibly well done. They managed to bridge two worlds that time had separated.

This thing has insane replay value, and honestly? It’s a full no-skip album. The first time I heard it, I was trying to absorb all the details and mainly figure out what each track was making me feel. On the first playthrough, “Ketamine” immediately made me feel weirdly comforted, and as the album kept going, I started gravitating more toward tracks like “Gunplay” and “Half-Life.” “Ketamine” especially feels perfect — beautiful arrangement, tons of depth, just incredible all around. Every track has its own identity while still fitting together to tell the story piece by piece.

The moment where I fully accepted that Hunter Young is just built different was during “Die Slow.” Dude… what the hell was THAT?

This album is an emotional rollercoaster.


Favourite Songs: - Half-Life - Gunplay - Ketamine
- Sickf_ck - Die Slow  Final Score: 10


Review: The Bled - Pass the Flask (2003)

 The Bled - Pass the Flask (2003) *Indicado por Junior Ferraz 
Review por Álex Alli



Esse é um dos álbuns que configura a época em que o Post-HC passava por uma série de transformações e, a cada uma dessas mudanças, adquiria novos elementos, mutando-se em algo diferente. Muitas bandas estavam inseridas nesse processo, e o The Bled é uma delas. Aqui, misturado ao gênero-base — o Post-HC —, temos elementos de Metalcore, Screamo e Mathcore fundidos. Pass the Flask é um álbum caótico e agressivo, porém com lampejos de melancolia em passagens e interlúdios de calmaria.

O álbum começa muito bem com a excelente Red Wedding, que, a meu ver, possui alguns dos melhores ganchos, tanto vocais quanto de riffs, além de um breakdown final que te faz querer trocar socos com o seu tio na sala da sua casa durante o almoço de família de domingo.

A primeira metade do álbum segue positivamente, com a faixa Dale Earnhardt's Seatbelt, que posteriormente precisou ter o nome alterado para You Know Who's Seatbelt devido a problemas de direitos autorais envolvendo o nome da pessoa à qual a música faz referência: Dale Earnhardt. A faixa faz ligação com a controvérsia em torno do cinto de segurança rompido em seu acidente fatal na Daytona 500 de 2001.

Musicalmente, essa faixa mescla dissonância com trechos de cordas alternadas sincronizados com a bateria, intercalados de forma a manter uma dinâmica que funciona bem. Logo em seguida, temos a minha faixa favorita do álbum (junto com Red Wedding): I Never Met Another Gemini, que já bate forte no peito por lembrar muito a inesquecível New Beginnings, da Finch. Não tenho como confirmar isso, mas parece muito que o Finch influenciou essa faixa.

Ruth Buzzi Better Watch Her Back prossegue bem, com um bom buildup que leva a uma ponte conectando outra seção da música, fazendo com que ela fuja do usual. O esperado seria um breakdown dentro de uma estrutura mais formulaica.

Sound of Sulfur começa extremamente explosiva, com variações rítmicas seguidas de um 2-step violento, desembocando em um refrão melódico muito bem-vindo a esse ponto do disco. Porém, preciso parar exatamente aqui na timeline para fazer uma observação: as faixas Dale Earnhardt's Seatbelt, Sound of Sulfur, Spitshine Sonata e Hotel Coral Essex apresentam o mesmo padrão de palhetadas alternadas, tanto nos breakdowns quanto nas partes intercaladas. Além disso, o baterista reutiliza linhas de buildup muito semelhantes em faixas diferentes. A banda deveria se atentar a isso, pois faz com que o álbum se torne repetitivo.

Porcelain Hearts and Hammers for Teeth segue com uma composição mais longa (5:33), que inicialmente funciona por trazer mais vocais limpos. Em muitos trechos, eles até remetem à estilização vocal de bandas de Goth Rock e New Wave, muito utilizadas no Post-HC por grupos como Aiden.

Mas o que até então parecia relativamente criativo começa a desmoronar. Da metade para o final do álbum, esses elementos passam a soar extremamente repetitivos, em grande parte por culpa da limitação do vocalista James Muñoz, que não consegue criar ganchos vocais capazes de fazer o ouvinte cantar junto ou gerar um verdadeiro fator replay. Sua técnica de vocal limpo é bastante limitada, assim como seus berros. Além disso, sua capacidade de composição também deixa a desejar, fazendo com que a segunda metade do álbum entre em um ciclo cansativo e pouco cativante.

Há ainda outra música desnecessariamente longa: We Are the Industry, que, a meu ver, é a pior do tracklist. Antes mesmo da metade da música, inicia-se uma ponte quase interminável — um loop de repetições sem substância que me faz virar o Régis Tadeu reagindo a um álbum do Coldplay.

A meu ver, o grande problema da segunda metade do álbum é repetir os “tropos” da primeira, porém sem qualquer criatividade. O vocalista parece berrar a esmo, arrastando a banda junto. E, por mais que consigam criar alguns trechos isolados interessantes, a liga que une tudo — o vocal — não consegue sustentar o conjunto por muito tempo. No todo, é um disco competente e bem honesto, mas que poderia ser melhor escrito para que ficasse menos repetivo.


Músicas Favoritas - Red Wedding / I Never Met Another Gemini / Sound of Sulfur / Porcelain Hearts…                                                 Nota Final: 7

Audição Obrigatória #2 - Gatherers

                                                        Audição Obrigatória #2 por Alli Gatherers - (Mutilator.) 2022 Aqui temos o famoso ca...

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