quinta-feira, 14 de maio de 2026

Review: The Bled - Pass the Flask (2003)

 The Bled - Pass the Flask (2003) *Indicado por Junior Ferraz 
Review por Álex Alli



Esse é um dos álbuns que configura a época em que o Post-HC passava por uma série de transformações e, a cada uma dessas mudanças, adquiria novos elementos, mutando-se em algo diferente. Muitas bandas estavam inseridas nesse processo, e o The Bled é uma delas. Aqui, misturado ao gênero-base — o Post-HC —, temos elementos de Metalcore, Screamo e Mathcore fundidos. Pass the Flask é um álbum caótico e agressivo, porém com lampejos de melancolia em passagens e interlúdios de calmaria.

O álbum começa muito bem com a excelente Red Wedding, que, a meu ver, possui alguns dos melhores ganchos, tanto vocais quanto de riffs, além de um breakdown final que te faz querer trocar socos com o seu tio na sala da sua casa durante o almoço de família de domingo.

A primeira metade do álbum segue positivamente, com a faixa Dale Earnhardt's Seatbelt, que posteriormente precisou ter o nome alterado para You Know Who's Seatbelt devido a problemas de direitos autorais envolvendo o nome da pessoa à qual a música faz referência: Dale Earnhardt. A faixa faz ligação com a controvérsia em torno do cinto de segurança rompido em seu acidente fatal na Daytona 500 de 2001.

Musicalmente, essa faixa mescla dissonância com trechos de cordas alternadas sincronizados com a bateria, intercalados de forma a manter uma dinâmica que funciona bem. Logo em seguida, temos a minha faixa favorita do álbum (junto com Red Wedding): I Never Met Another Gemini, que já bate forte no peito por lembrar muito a inesquecível New Beginnings, da Finch. Não tenho como confirmar isso, mas parece muito que o Finch influenciou essa faixa.

Ruth Buzzi Better Watch Her Back prossegue bem, com um bom buildup que leva a uma ponte conectando outra seção da música, fazendo com que ela fuja do usual. O esperado seria um breakdown dentro de uma estrutura mais formulaica.

Sound of Sulfur começa extremamente explosiva, com variações rítmicas seguidas de um 2-step violento, desembocando em um refrão melódico muito bem-vindo a esse ponto do disco. Porém, preciso parar exatamente aqui na timeline para fazer uma observação: as faixas Dale Earnhardt's Seatbelt, Sound of Sulfur, Spitshine Sonata e Hotel Coral Essex apresentam o mesmo padrão de palhetadas alternadas, tanto nos breakdowns quanto nas partes intercaladas. Além disso, o baterista reutiliza linhas de buildup muito semelhantes em faixas diferentes. A banda deveria se atentar a isso, pois faz com que o álbum se torne repetitivo.

Porcelain Hearts and Hammers for Teeth segue com uma composição mais longa (5:33), que inicialmente funciona por trazer mais vocais limpos. Em muitos trechos, eles até remetem à estilização vocal de bandas de Goth Rock e New Wave, muito utilizadas no Post-HC por grupos como Aiden.

Mas o que até então parecia relativamente criativo começa a desmoronar. Da metade para o final do álbum, esses elementos passam a soar extremamente repetitivos, em grande parte por culpa da limitação do vocalista James Muñoz, que não consegue criar ganchos vocais capazes de fazer o ouvinte cantar junto ou gerar um verdadeiro fator replay. Sua técnica de vocal limpo é bastante limitada, assim como seus berros. Além disso, sua capacidade de composição também deixa a desejar, fazendo com que a segunda metade do álbum entre em um ciclo cansativo e pouco cativante.

Há ainda outra música desnecessariamente longa: We Are the Industry, que, a meu ver, é a pior do tracklist. Antes mesmo da metade da música, inicia-se uma ponte quase interminável — um loop de repetições sem substância que me faz virar o Régis Tadeu reagindo a um álbum do Coldplay.

A meu ver, o grande problema da segunda metade do álbum é repetir os “tropos” da primeira, porém sem qualquer criatividade. O vocalista parece berrar a esmo, arrastando a banda junto. E, por mais que consigam criar alguns trechos isolados interessantes, a liga que une tudo — o vocal — não consegue sustentar o conjunto por muito tempo. No todo, é um disco competente e bem honesto, mas que poderia ser melhor escrito para que ficasse menos repetivo.


Músicas Favoritas - Red Wedding / I Never Met Another Gemini / Sound of Sulfur / Porcelain Hearts…                                                 Nota Final: 7

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